Torre forte é o nome do Senhor; para ela correrá o justo e estará em alto retiro (Pv 18.10).

 

Referências bíblicas sobre o assunto:
ÊXODO 21; 12-13
NÚMEROS 35; 6-28
DEUTERONOMIO 4; 41-43 19; 1-13
JOSUÉ 20;1-9

A primeira vez que as CIDADES DE REFÚGIO aparecem na Bíblia é através de Moisés. O Senhor havia entregado a ele leis de retribuição iguais aos crimes, assim o parente de um homem morto poderia justificar o assassino.

Os dois parágrafos abaixo foram acrescentados como base de informação, mas não precisam ser usados para explicar o contexto aqui enfocado.

Partindo do contexto histórico da época o termo cidade fazia referência a uma comunidade cercada por uma MURALHA, caso contrário tal comunidade era chamada de ALDEIA.

A existência das cidades marcou a segunda grande revolução cultural, um passo decisivo na civilização. A primeira revolução foi à domesticação de plantas e animais (era neolítica).

A lei de Moisés (vinda da parte do Senhor) era um código de justiça, e a misericórdia não era então um conceito patente como se vê em nossos dias.

Ex.21:23-25 Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.)

Apesar disso, as CIDADES DE REFÚGIO envolviam certa medida de misericórdia.
É evidente que Deus queria impressionar os filhos de Israel com a santidade da vida humana. Por fim a vida de uma pessoa, não intencionalmente, é algo muito sério, e as CIDADES DE REFÚGIO sublinhavam isso de modo enfático. Assim aquele que cometia sem querer ou por engano um HOMICÍDIO CULPOSO (sem intenção de matar) Num 35; 11 poderiam buscar proteção em alguma destas seis CIDADES.

A grande importância da existência dessas CIDADES fica claro ao serem citadas em quatro Livros do Antigo Testamento. As CIDADES DE REFÚGIO são uma ordem provinda de Deus e não uma mera invenção dos homens Num 35;9.

O próprio Deus foi quem cuidou dos detalhes de localização de cada uma das seis CIDADES DE REFÚGIO (indico o nome de cada uma delas a baixo). A localização geográfica era estratégica, três do lado leste do rio Jordão e três na terra de Canaã. Num 35;13. O que foi acontecendo gradativamente com a conquista da terra (leia abaixo *).
Quando o Senhor entregou Canaã aos Hebreus, Ele ordenou que a terra fosse dividia em três partes, e cada parte deveria escolher uma CIDADE DE REFÚGIO. Deut 19; 2-3. Assim foram instituídas as três primeiras: BEZER, RAMOTE E GOLÃ.

* A partir do momento em que outras terras de Canaã fossem dada aos Hebreus mais três CIDADES DE REFÚGIO deveriam ser acrescentadas. Deut 19; 8-9

Os nomes dados as outras três CIDADES DE REFÚGIO que surgiram posteriormente foram: QUEDES, SIQUÉM E QUIRIATE-ARBA.
Para uma maior compreensão fica claro que Moisés designou três ao oriente do Jordão e depois da conquista de Canaã, Josué e os chefes das tribos, designaram as outras três cidades a oeste do rio.

As CIDADES DE REFÚGIO não poderiam ser longe dos locais onde as DOZE TRIBOS se estabeleceram, para que no caso o homem que houvesse necessidade de fugir para ela, não fosse alcançado pelo vingador se sangue (o vingador de sangue no caso era o parente mais próximo da vítima que ansiando por vingança buscasse matar o que por engano ou sem querer houvesse cometido o homicídio).

A preocupação em facilitar o acesso as CIDADES DE REFÚGIO, exigia que as estradas fossem bem cuidadas e com sinais claros: REFÚGIO! REFÚGIO! Além disso, havia atletas treinados em corridas para ajudar na fuga dos inocentes.

O indivíduo que chegasse à CIDADE DE REFÚGIO, na entrada da CIDADE deveria declarar porque razão estava ali. Assim os anciãos responsáveis por aquela CIDADE cuidariam para que ele tivesse proteção e abrigo. O vingador de sangue que violasse o recinto daquela CIDADE seria executado.

Tais CIDADES serviam como medidas judiciais auxiliares para ajudar o escape dos homicidas involuntários, quando os vingadores da vítima matavam sem misericórdia ao culpado sem temer a ação por parte da Lei.

Havia qualificações específicas para aqueles que buscassem as CIDADES DE REFÚGIO, e os anciãos das CIDADES tomavam decisões referentes a cada caso.

O julgamento daquele que matou sem querer a um homem começava com o júri a favor do HOMICIDA e não do homem responsável por vingar a morte do seu parente.
O povo tinha o dever de defender o réu, não permitindo que fosse morto pelo vingador. Após o julgamento o réu deveria ser levado para a CIDADE DE REFÚGIO e ficar lá até a morte do Sumo-Sacerdote.
Se no julgamento ficasse provado que o homicídio foi voluntário, era entregue à morte. Se, porém, ficasse provado que matou em legítima defesa, ou por acidente, então a cidade lhe oferecia asilo. Se ele deixasse a cidade, antes do falecimento do sumo sacerdote, sua vida correria perigo e lhe seria de total responsabilidade. Depois da morte do sumo sacerdote, era permitido voltar a sua casa sob a proteção das autoridades.
A condição para ser recebido nas CIDADES DE REFÚGIO era decidida pelos líderes da mesma. Quando o fugitivo ia ao lugar de julgamento na entrada da cidade, ele explicava aos líderes o que aconteceu e assim eles o deixavam ficar na CIDADE e lhe davam um lugar para morar ali.

Em qualquer uma dessas CIDADES o homem estaria seguro e ninguém poderia matá-lo. Deut 4;42

Os lugares de REFÚGIO se estendiam aos TEMPLOS, os SANTUÁRIOS e LUGARES SANTOS de todas as variedades.

Uma das características mais inclusivas das CIDADES DE REFÚGIO era o fato de todos quantos carecessem pudessem alcançar ali por MISERICÓRDIA, pelo tempo necessário ou até mesmo para sempre.
Martinho Lutero em 1529 quando estava escondido no castelo em Coburg escreveu o hino Castelo Forte aludindo ao refúgio que Cristo lhe estava dando naquele momento.
Neste hino, Lutero expressa o quanto podemos confiar em Jesus, nosso Castelo Forte, nosso Escudo e Boa Espada. Mostra também que quem nos defende é o Senhor dos altos céus, o próprio Deus e que o nosso grande acusador cairá com UMA SÓ PALAVRA!

ESTA CIDADE SERÁ DE REFÚGIO TANTO PARA O ISRAELITA COMO PARA OS ESTRANGEIROS. Num 35;15

As CIDADES DE REFÚGIO era lugar de grande atividade que antes de servirem para essa finalidade haviam sido santuários de Israel.

Usando uma breve tipologia sobre as CIDADES DE REFÚGIO, podemos afirmar que elas representam o REFÚGIO que temos em CRISTO, o qual é o nosso SUMO SACERDOTE. A sua morte livrou-nos do temor da retaliação do pecado, até onde está envolvido o destino da alma.

Rm.5:7-9: Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

Jo 1:16 Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.

Mt 11:28-30 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30- Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

Jo 6:37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

Jo 10:27-28 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28- Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.

2Tm.2:13 Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.

2Co.5:18-21 Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Ef.2:18-19 porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus.

Jo.1:12 – Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.

As CIDADES DE REFÚGIO estabelecidas pelo Senhor através de Moisés e confirmadas a Josué eram a proteção daqueles que eram culpados involuntariamente, assim CRISTO se tornou através da sua morte na cruz nossa eterna CIDADE DE REFÚGIO, NELE encontramos misericórdia, segurança e salvação.

Em CRISTO há aceitação para o rejeitado, há REFÚGIO para o excluído.

LOCALIZAÇÃO DAS CIDADES DE REFÚGIO:

As CIDADES DE REFÚGIO aparecem de forma gradativa, sendo seus nomes citados primeiramente no livro de Deuteronômio 4;43 e as outras então surgem no livro de Josué no capítulo 20, quando são citadas juntamente.

Na disposição de como foram separadas uma das outras as CIDADES serviam ao CENTRO, NORTE E O SUL da terra prometida, em ambos os lados do Rio Jordão.
Cada CIDADE tem um significado extremamente importante aos que desejam aprender sobre o assunto, por isso é de extrema importância analisar separadamente cada aspecto individual de cada uma delas.

BEZER – Fortaleza
· Situada no deserto, na terra plana, território de Rubén (Sudeste) Dt 4.43; Js 10.8.
· Significa “fortaleza”, e aparece apenas cinco vezes na Bíblia.
· Jesus Cristo é a fortaleza de todos os que nele confiam. SL 43.2; Is 52.1; 2 Tm 1.7

RAMOTE – Altura ou Exaltado
· Situada em Gileade, território de Gade (Leste) Dt 4:43;
· Significa lugar de refúgio para os humilhados;
· Jesus Cristo é a principal autoridade universal, superior a todos os nomes que possam ser mencionados agora e por toda a eternidade Fl 2.9;

GOLÃ – Gozo ou Exilo
· Situada em Basã, território de Manasses (Nordeste) Js 20:8;
· Significa lugar de refúgio para os tristes;
· Jesus foi rejeitado pelo mundo Jo 1.10; por sua própria nação Jo 1.21; pelo seu próprio país Mc 6.4; por sua própria cidade Lc 4.29; por seus próprios familiares Jo 7.5; pelos escribas, sumo sacerdotes e anciãos Lc 9.12 e pelos seus próprios seguidores Mc 14:71.

QUEDES (OU CADES) – Lugar Santo
· Situada na região da Galiléia, território de Naftali (Norte) Js 20.7;
· Significa santificação para o impuro, ou REFÚGIO para os impuros Ap 3.7;
· Jesus possuía natureza santa Jo 8.46. Ele é a santidade requerida aos fiéis 1Pe 1.16;

SIQUÉM – Ombro
· Situada na montanha, território de Efraim (Centro-oeste, cerca de 70 Km ao Norte de Jerusalém) Js 20:7;
· Significa lugar para o cansado, ou refúgio para o cansado Mt 11.28;

HEBROM – Comunhão
· Situada na montanha, território de Judá (Sul-sudeste) Js 20:7;
· Significa união, companhia, camaradagem, ou seja, lugar de comunhão;
· Esta cidade de REFÚGIO é um tipo de Jesus Cristo como o nosso melhor amigo e companheiro Lc 7.34; Jo 11.1; Jo 15.13,15; Sl 27.10

Que o Senhor Jesus seja em todo o tempo a nossa CIDADE DE REFÚGIO!

Assim nasce esta IGREJA, com o designo de ser uma CIDADE DE REFÚGIO á todos aqueles que forem carentes e necessitados nessa imensurável GRAÇA, e quem não o é?

NELE QUE É NOSSO ETERNO REFÚGIO!

Lanna Holder